terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Vejo-lhe balbuciar em sonhos. Alva, calma e clara. Não me satisfaço. Preferia ver-te balbuciar ao prazer, ao desejo, ao suor, à carne que queima. Queria ter-te curvando por entre meus braços, arquejando em meio às minhas pernas, contorcendo à minha lingua. Teu corpo quente, rubro, enrigecido. Todo meu. Tudo meu. Minha.

Andei pensando em dar-me. Andei pensado em entregar-me a ti. Pensei também em envolver-te, absorver-te, ter-te apenas para mim. Andei pensando em atirar-me a ti e possuir-lhe até sermos um só. Mas desisti. De que valeria sermos um e perder o prazer de nos tocarmos os dois?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Não consigo dizer dos tons pastéis. Me faltam as cores nas palavras para descrever o morno da vida. Não sobrou vida. Ficou o cansaço, o abandono, o tédio, a mesmice. Ficou nada.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pegar mais gelo não fará que a bebida se oculte ao meu fígado. Já estou saturada. Cansei das mentiras infames que o tom da tua inebriante voz me trás. Me faço louca. Já não sei das tantas horas desperdiçadas, esganiçadas e esparramadas nos copos. O desejo embaçou a todos com seu hálito quente e agora não restou nada para recolocar as almas tórpidas de pé. Me enganar não lavou-me a alma nem me afundou as mágoas em açude algum. Mas trouxe-me a certeza de que ao final da noite hei de ter bons lençóis e um corpo robusto qualquer no qual me apoiar.

sei bem que queria saber-te na porta da varanda, com o lençol cobrindo o sexo e o peito tomando banho de sol. queria ter-te com olhar distante, sorriso satisfeito, cheirando a orgasmo do bom. iria rir a falta do cigarro que falta à cena que seria bela em película. mas cansei de satisfazer-me com devaneios e sublimações para secar a liquidez que me causa ao meio das pernas. então esqueci...